O Brasileiro é Inglês

O ano de 2011 já teve alguns capítulos políticos que ocuparam as manchetes: posse de presidente, composição do governo, salário mínimo e agora um novo tema entra em pauta, a reforma política. Vários pontos estarão em discussão, cada um deles possui complexidade e sua devida importância. Nesta postagem de hoje discutirei um pouco a respeito.

Trazer um tema controverso e amplo ao debate é sempre uma decisão política. Melhor ainda se esse debate for utilizado para desviar atenções. O debate sobre o salário mínimo não produziu o melhor capital político para o Governo. Decidir sobre salário de trabalhadores e decidir por um valor menor sempre será uma medida impopular. A discussão sobre o mínimo explicitou a situação do atual governo e como deverá ser a tomada de decisões em 2011.

A economia Brasileira não está em seu melhor momento. Juros sobem, dinheiro começa a ficar mais escasso, cortes no orçamento ocorrem nos mais diversos setores. Para o cidadão isso implicará em alguns fatores, como maior dificuldade de conseguir crédito para comprar seu tão sonhado carro, por exemplo. O Brasil vinha de uma bonança econômica que fazia inveja em vários países. Entretanto, especialistas sabiam que isso era algo artificial, não dava pra manter esse cenário por muito tempo, e realmente não deu.

O salário mínimo foi apenas a ponta do iceberg, o fato que permitiu que a população realmente tomasse conhecimento da real situação econômica brasileira. Não estamos em recessão, mas um controle maior dos gastos e da economia é questão de sobrevivência. Mas nosso foco aqui não é economia. Como isso interfere na política? Vemos aqui que estamos pagando as contas do ano eleitoral de 2010. A profusão de gastos, obras, bolsas, etc., que tivemos em 2010 tinham um preço, para eleger a presidente gastou-se mais do que podia, agora é hora de frear a gastança. Por isso a batalha do mínimo, por isso R$ 15,00 foi tão debatido e gerou tanta polêmica.

O desgaste que esse momento de freio na economia e no consumo gerou foi alto. Nada melhor então que trazer um tema importante e polêmico para desviar as atenções e fazer todos “esquecerem” do momento de redução na economia pelo qual passamos, esquecer também dos excessos feitos em 2010 em nome de uma eleição. Além disso, em 2012 teremos eleições municipais. Isso significa que mais uma vez o governo precisará gastar rios de dinheiro para eleger seus prefeitos e aumentar cada vez mais sua base. Para gastar em 2012 é preciso economizar agora. Isso não ocorre apenas no Governo Federal, diversos Governos Estaduais seguem a mesma política, com redução de gastos e em alguns Estados o aumento de impostos.

A reforma política não é tema de debate apenas por bondade política. Como sempre falo, não acredito em acasos na política, tudo tem um porquê. Este contexto, aliado a pressões populares, permite que o debate acerca da reforma política aconteça. Resta saber o que de fato será alterado. Mudar apenas questões pontuais não irá fazer grande diferença, é preciso realmente de uma “reforma”.

Por fim, ao ver os nomes selecionados para as comissões de discussão da reforma política, só me resta indagar o que vai realmente mudar. Os políticos não irão estabelecer alterações que prejudiquem seus partidos ou a si próprios. Pela seriedade de muitos dos políticos envolvidos, tudo que me lembro é de um antigo e conhecido ditado,a reforma política é “só para Inglês ver”. Agora só resta aos brasileiros formalizar sua dupla cidadania.

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Presidência da Câmara, jogo de cena, velhas alianças

Eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS) eleito com 375 votos, Sandro Mabel (PR-GO) ficou em segundo com 106 votos. Tivemos ainda duas candidaturas com votação com 16 e 9 novos. Por que Mabel decidiu disputar a presidência da Câmara dos Deputados se o deputado eleito tinha apoio de toda a base aliada, inclusive do próprio partido de Mabel? Uma pergunta pertinente que tentaremos responder aqui. mas antes uma breve análise da importância de ser o presidente da Câmara dos Deputados.

O Presidente da Câmara dos Deputados tem algumas prerrogativas. Este é um tema muito vasto e iremos mencionar apenas alguns pontos relevantes. Dentre tais pontos relevantes, talvez o mais importante de todos é exatamente o controle da agenda. O que é isso? Controlar a agenda significa o que será votado e, o mais importante, quando será votado. Um exemplo para esclarecer um pouco mais. O Presidente da Câmara dos Deputados pode determinar o início de uma votação de algum assunto. Assim, para garantir que a matéria seja aprovada, e assumindo que ele seja da base aliada ao Presidente da República, ele não irá iniciar a votação se a base aliada não estiver presente no plenário. A votação só será iniciada quando as melhores condições possíveis de votação ocorrerem. Quando a Câmara dos Deputados está dividida, a oposição é maior, e tais recursos são fundamentais para se garantir a aprovação de matérias de interesse da base aliada e da Presidência da República. Assim, o papel do Presidente da Câmara, bem como dos líderes partidários e do líder do governo, é garantir que as coalizões no plenário sejam mais estáveis e que o apoio e aprovação das propostas do governo também sejam maiores.

Ser Presidente da Câmara dos Deputados é um alto cargo e permite uma enorme projeção ao Deputado ocupante. Basta frisar que o atual Vice Presidente, Michel Temer, já ocupou por um bom tempo a Presidência da Câmara. Sandro Mabel entrou nessa por visibilidade, por espaço? Eu acredito que não. Como sempre digo, não acredito em coincidências na política, tampouco em ações isoladas quando se trata de um cenário tão bem orquestrado. Sandro Mabel fazia parte da base aliada, assim como seu partido, o PR. Em boa parte das votações tanto ele quanto seu partido votaram de acordo com o interesse do Governo. Sandro Mabel até pouco tempo atrás era o líder do PR na Câmara dos Deputados.

Ele se candidatou para afrontar? Um projeto solitário com o intuito de ganhar projeção nacional? Não vejo esta como as razões de tal ato. Em primeiro lugar, era preciso de um candidato em quem a oposição pudesse votar. Além disso, o início do mandato Dilma foi marcado por disputas entre PT e PMDB por cargos no Governo, principalmente no segundo escalão. Era necessário então ter um nome de um terceiro partido para testar o tamanho da oposição e principalmente, saber se a base de apoio ao Governo Dilma na Câmara estava realmente unida ou se haveriam dissidências. Melhor testar isso na eleição para Presidente da Câmara do que na votação do Salário Mínimo que ocorrerá em breve.

Assim, Sandro Mabel, um fiel escudeiro do Governo na Câmara, assumiu tal papel. Pudemos ver que a oposição continua oposição, seu tamanho é o já previsto, e o mais importante, a base aliada está, pelo menos por enquanto, unida e mapeada. Isso pode mudar a todo momento, mas por enquanto o Governo pode respirar tranquilo na Câmara. Quanto a Sandro Mabel e essas ameaças de expulsão do PR, tudo faz parte do jogo de cena, a expulsão não será aprovada pela executiva do partido e o papel de Mabel como membro da base aliada terá sido cumprido.

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PT na Presidência

O governo Lula, em seus 8 anos ocupando o palácio do planalto, inaugurou os mandatos presidenciais do PT. Agora com a posse de Dilma o PT se mantém no poder, mas apenas agora galga o poder e a presidência de fato. Antes que me atirem pedras, explico meu raciocínio.

É impossível negar a presença do PT e dos petistas no Governo Lula, o próprio um membro do PT, um de seus fundadores, principal nome e liderança. Talvez aí esteja o ponto principal da questão. Me atrevo a dizer que Lula se transformou em um nome maior que o próprio partido.

Um ponto muito estudado na Ciência Política é a diminuição da importância dos partidos em relação há alguns atrás. Da mesma forma, os líderes políticos natos, dotados de carisma e capacidade de liderança, de aglutinar as massas, têm crescido. Com o advento e crescimento de formas de comunicação eletrônicas, desde o já usual e quase arcaico e-mail até redes sociais e blogs como este que ora vos escrevo, a possibilidade de comunicação entre político e eleitor cresceu muito, não mais é necessária a estrutura partidária para se alcançar o eleitor. Isso significa a personificação do voto, votamos no político, independente de qual partido ele faça parte. Claro,  não se trata apenas disso, mas o objetivo aqui não é fazer uma análise teórica longa e enfadonha, mas sim apenas apresentar alguns pontos para reflexão.

Esse cenário de personificação, bem como uma aprovação acima de 80% mostram que Lula está acima do PT. Dentro do partido, não há oposição forte, mesmo sabendo que existem correntes divergentes da posição de Lula. Isso implica que tudo que Lula decidisse, seria acatado dentro do PT, restaria ao partido o trabalho de “fazer acontecer” as demandas de Lula. Exemplo maior disso é o próprio caso de Dilma. Mesmo entre os mais apaixonados e bem informados sobre política havia uma boa parcela que desconhecia esse nome, inclusive dentro do próprio PT, até porque ela não é uma figura histórica do partido, filiou-se apenas em 2001, antes era filiada ao PDT. Ora, de quase completa desconhecida a presidente do Brasil.

Lula controlava o Partido dos Trabalhadores, o que ele dizia era acatado. Dilma provavelmente não terá a mesma facilidade, além de ter que negociar com partidos que comporão a coalizão do governo, terá que atender demandas internas do PT que antes não existiam ou se existiam não eram consideradas. Dilma construiu uma imagem forte de si própria, mas ainda longe do que Lula representa, em palavras da própria Dilma, “o maior líder popular da história deste país”.

Assim, teremos então a chance de ver o PT realmente atuando na presidência. Sei que o momento é outro, a situação econômica é distinta daquela encontrada por Lula quando assumiu o governo. Não me arrisco a dizer que o Governo de Dilma será bom ou ruim, tampouco se será melhor ou pior que o Governo Lula. O que posso afirmar é que não será uma mera continuidade do governo anterior. Teremos pela frente o PT como ele realmente é, tal como em um conto de Nelson Rodrigues.

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Fim de festa, início de trabalho

Esse período que compreende Natal e Ano Novo é de pouca produtividade em qualquer segmento, mesmo se considerarmos a esfera privada. Espera-se que a segunda feira, dia 3 de janeiro, seja o dia de volta ao trabalho de muita gente, excetuando-se aí aqueles que gozam de férias em janeiro. O cenário político brasileiro não será diferente, passada as festividades do início do ano, posses, despedidas, começa-se o tempo de cumprir o que foi prometido em campanha.

Pudemos ver a posse de governadores e da nova presidente do Brasil. Agora esperamos que a partir do dia 3 de janeiro os trabalhos comecem e que sejam encarados como realidade. Já temos a grata surpresa de políticos que irão trabalhar no dia 02 de janeiro, pleno domingo de ressaca de festas de ano novo. A minha breve experiência com política tem me ensinado a desconfiar em primeiro lugar, e relembrando uma expressão que minha finada avó dizia, no meio político “não se dá ponto sem nó”.

Qual a motivação de Dilma ter marcado uma reunião para o domingo, dia 02, e não para a segunda, dia 03 de janeiro. Tenho certeza que não haveriam muitos questionamentos quanto a isso, o início dos trabalhos numa segunda e não num domingo seria algo totalmente aceitável. Como sempre comentei com meus alunos, o Governo Lula alcançou enorme popularidade não foi à toa. Se em seu primeiro mandato tivemos um governo austero e com grandes superavits primários, o segundo mandato ficou marcado por obras e projetos sociais. O resultado foi alcançado, extendeu-se benefícios para a população e índices de aprovação subiram. Vale lembrar que tudo tem um preço.

Chegou a hora de começar a pagar a conta do que vem sendo feito. Não digo que haverá crise, mas sim que é hora de pisar no freio. Evitou-se tal medida até o último minuto, o fim do mandato do agora ex-presidente Lula. É preciso diminuir gastos públicos, preciso controlar a inflação, dentre outras coisas, pois a população está sentindo ou vai sentir o aumento de preços da carne, o aumento do aluguel. 2011 começa com esse cenário, isso justifica uma reunião de trabalho logo no domingo, dia 02 de janeiro. Olhando de fora não dá para ter uma real noção da situação econômica do Brasil, não sei dizer se o pé no freio será suave como uma mãe que leva os filhos pequenos à escola ou se será uma freada brusca, mas minha impressão é que a bonança começa a acabar.

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O político e o eleitor

A primeira postagem sobre política do blog refere-se a um acontecimento da política goiana ocorrida no final de 2010: a indicação de Thiago Peixoto, deputado federal eleito pelo PMDB ao cargo de secretário da educação do governo de Marconi Perillo, do PSDB. Como se sabe, PMDB e PSDB ocupam pólos distintos em Goiás  e a indicação de um nome do PMDB tem movimentado o cenário político goiano neste final de ano.

Thiago Peixoto tem colocado seu compromisso com os interesses do Estado. Tal atitude é louvável, sempre é bom ter alguém que seja compromissado com o bem público. Mas faço a indagação: como fica o eleitor que votou em Thiago Peixoto? Isso nos traz a um ponto importante tema da ciência política, a relação do político e seu eleitor. O fato ocorrido não é novo em Goiás, em 2002 o então deputado federal eleito pelo PSDB Henrique Meirelles renunciou ao cargo sem assumi-lo para ocupar o cargo de presidente do Banco Central do governo Lula, do PT.

O compromisso do político com seu eleitor tem sido tema recorrente desde o século XIX. Até que ponto o político deve se manter fiel a seu eleitor, quando abrir mão das propostas iniciais, em que medida se afastar do seu eleitor representa pensar no interesse público ou significa interesse próprio. Todos esses temas podem ser longamente debatidos a partir da indicação de Thiago Peixoto, e nenhum destes debates será algo novo ou mesmo terá resultado consensual.

Dos 90.719 votos que Thiago Peixoto teve provavelmente é impossível apresentar uma única motivação para a escolha deste político. Entretanto, muitos dos seus eleitores o escolheram exatamente por ser um político do PMDB,  alinhado a ideias dos líderes do partido e muito provavelmente por ser de oposição a Marconi Perillo. A decisão de Thiago Peixoto poderá ser a marca de uma grande reviravolta na política goiana, o surgimento de um novo “líder” político ou o começo do fim de uma carreira que poderia ser longa e de sucesso. As consequências da indicação ao secretariado de Marconi dependerão de como as pedras serão mexidas a seguir no jogo de xadrez que é a política. O que vejo é um possível cenário sendo preparado para o lançamento de uma candidatura à prefeitura de Goiânia em 2012. Se uma nova eleição fosse realizada hoje talvez muitos dos eleitores que votaram em Thiago Peixoto não repetissem seu voto, ou mesmo sua votação poderia ser ainda mais expressiva. Para se chegar a tal conclusão serão necessárias algumas pesquisas de opinião junto ao eleitorado. Entretanto uma coisa é certa, por maior que seja a apatia e desinteresse político da população de uma forma geral, tal movimentação política tocou uma parcela considerável do eleitorado goiano.

A cartada de mestre de todo esse cenário foi dada por Marconi Perillo. Hierarquias do PMDB goiano começam a ruir e coloca Marina Sant’Anna, do PT, na Câmara dos Deputados. Garantir a vaga de uma deputada do PT, mulher, no Governo Dilma é um sinal de aproximação entre Marconi e a Presidência da República. Era notória e conhecida as divergências de Lula em relação a Marconi. Com uma nova presidente novos laços políticos serão forjados em 2011.

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Início

Este é o início das atividades do blog Aprender Política. Ocasionalmente irei fazer comentários sobre a política brasileira

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